26 de março de 2010

engano.

gritos. brigas. discórdia. e o mundo dela se enche de lágrimas. ela se esquiva, como se pudesse fugir de sua realidade. por um segundo, tenta imaginar que nada daquilo é capaz de afligi-la. nada daquilo é capaz de tirá-la de seu eixo - que sempre fora tão regular. por um rápido segundo ela se sente melhor. ao menos é no que tenta acreditar. no que quer acreditar. ela deseja que a resolução de seus problemas esteja em sua brilhante fuga repentina. entretanto, ainda consegue perceber os olhos curiosos, a verdade que teima em se esconder por trás da ilusão 'confortante' de seu mundo imaginário. um vazio se abre, de repente. ela nota que ali não é o seu lugar. decide, então, corajosa, abrir os olhos. susto. surpresa. ela estranha. o ambiente não é mais obscuro. a dor que sentia, agora não consegue mais afetá-la. o sol a raiar do outro lado da janela é um convite irrecusável. debaixo da cama, as pantufas que logo aconchegam seus pés descalços. ri consigo mesma. aliviada. o pesadelo acabara. simples assim. só bastou acordar.

texto e foto por: Lorena Caldas